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A força da mulher

  • Foto do escritor: Thays Santanna
    Thays Santanna
  • 15 de mai. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 29 de jun. de 2024

A desigualdade de gênero existe, mas é preciso comemorar as conquistas econômicas, sociais e políticas que as mulheres brasileiras alcançaram. O século XX, foi marcado por diversos acontecimentos, em meio a eles as mulheres conquistaram o direito de votar em 1932, tornando-se maioria na década de 1940, e além de se tornar maior em questão populacional, houve a redução das taxas de mortalidade. Logo mais tarde, a conquista dos direitos jurídicos iguais na Constituição de 1988, foi um grande salto que aumentou a presença da mulher nos espaços de poder ampliando assim as taxas de participação no mercado de trabalho.


Mesmo com todos esses aspectos a força da mulher não é reconhecida. A discriminação salarial por exemplo, continua sendo um dos maiores fatores de desigualdade de gênero até hoje, mesmo que as mulheres realizem o mesmo trabalho, na mesma posição de um homem. O especial “Mulheres, influência e dinheiro” da revista “Pequenas empresas & grandes negócios”, traz diversas histórias reais de mulheres que driblaram essa desigualdade, mostrando ao mercado o seu real valor, que muitas vezes não está somente atrelado a ser mãe e dona de casa.


Lendo página por página observamos um editorial fora da caixinha. Logo nas primeiras linhas a declaração de Sandra Boccia – Diretora de redação, exprime a importância daquela edição, com poucas palavras quando diz: “Embora já tivéssemos adentrado na agenda do século 21, a presença feminina no mercado de trabalho ainda continuava a ser ignorada – ainda que inadvertidamente, como foi o caso. Era necessária uma ação mais efetiva, e assim nasceu a edição do calendário”. Essa breve apresentação contribuiu para que o leitor possa refletir. Diante disso, fica nítido que não se pode associar a mulher apenas a tarefas domésticas como acontece durante anos, existe a necessidade de reconhecer o valor delas fora das cozinhas.


“No Brasil, os desafios são as oportunidades”, essa frase causa um impacto muito grande em quem lê. Perpetuando sobre a minha realidade essa frase faz muito sentido, minha avó por exemplo largou os sonhos e os estudos para cuidar dos filhos e pela implicância do meu avô que não via sentido nela estudar, pois ele pensava: “Já se casou, tem filho, por que ela quer estudar? Para quê?”. Logo em seguida minha mãe nasceu e cresceu com o sonho de casar (não por influência da minha avó e sim pela tradição da família que via o casamento como a porta de salvação e a independência da mulher), e enquanto minha avó de um lado incentivava minha mãe a estudar e seguir um sonho ela fazia o oposto.


Até que eu nasci e saí daquela tradição. Eu fui criada pelos meus avós e sempre fui ligada aos estudos, sempre acreditei que seria os livros que me levaria a um outro patamar na vida. Cresci me dedicando a algo que nem sabia ao certo no que iria dar, e então sempre corri atrás, afinal eu penso que eu posso dar uma vida melhor para toda minha família e principalmente para minha avó através da educação. Mas a vida e o país sempre mostraram que a desigualdade existe, principalmente na hora das “oportunidades” e vem mostrando até hoje.


Meu objetivo é trabalhar com jornalismo esportivo e o preconceito já começa dentro da família e vai para o mercado, então essa cultura de que a mulher tem que estar atrás de um fogão perdura e não sabemos se um dia deixará de existir, sentimos na pele o que é ser vista como “frágil”, como mãe, empreendedora, independente e solteira de uma vez só, mas que não serve para as oportunidades porque com todos esses aspectos ela não rende tanto como os homens, não é?


Trata-se de uma luta constante. E esse editorial faz exatamente isso, dá um passo importante nessa luta para o reconhecimento feminino em uma edição reservada apenas para elas e causa em nós leitores a sensação de que a luta continua e todos aqueles exemplos estão ali para mostrar isso, são mulheres fortes que remaram contra a maré do preconceito para mostrar a sociedade e ao mercado que o nosso valor vai muito além de dar a luz ou arrumar uma casa.


Imagem: Reprodução internet


 
 
 

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