Driblando a pandemia
- Thays Santanna

- 27 de abr. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 29 de jun. de 2024
Em meio à crise mundial na saúde o YouTube tem sido a melhor plataforma de
interação, e nada melhor do que passar por esse momento de forma descontraída e
dentro de casa

Peça chave em seu canal no YouTube, hoje o carioca Roberto de Jesus, formado em Design Gráfico, trabalha como youtuber, desenvolvendo conteúdos com foco esportivo, sendo o futebol o carro chefe da equipe. Em toda sua trajetória dentro do canal, chamado “Cartão Vermelho”, – com mais de 10 mil inscritos – aprendeu a desenvolver roteiros entre outras funções.
No presente, ele participa desde as gravações junto do seu sócio, o jornalista Eduardo Olavo, até a etapa final, na edição dos vídeos. A sua experiência nos dois ramos, ajudou na transformação de sua carreira, que antes era só no design e agora passa a ser também em outras esferas do audiovisual. Com o propósito de criar uma forma inovadora de compartilhar conteúdos na plataforma, o canal com pouco mais de um ano de lançamento, vem crescendo, mas com o isolamento, o mundo virtual foi a única alternativa para estar mais próximo as pessoas, sendo assim, foi através do YouTube que o canal ficou ainda mais próximo dos inscritos, dessa forma, ele passou a criar alternativas para ‘’driblar’’, os desafios desenvolvendo novas formas de socialização respeitando o isolamento.
THAYS SANT’ANNA - Na sua opinião como a pandemia afetou o esporte e principalmente a indústria do futebol que é a modalidade mais popular no Brasil e no mundo?
ROBERTO DE JESUS – Foi um baque muito grande, com a pausa dos jogadores, as receitas dos clubes diminuíram começando a se endividar, porque as torcidas não podiam mais comparecer nos estádios, e como os patrocinadores não estavam sendo expostos, sem essa fonte de renda houve um prejuízo tanto para os clubes, quanto para os jogadores, que utilizavam sua imagem para retorno financeiro. Então além de estarem ficando fora de forma sem todo o acesso e o aporte que o clube oferecia com: médicos, nutricionistas, acompanhamento psicológico e físico, os patrocínios estão deixando de lado novos contratos. Os torcedores, aguardam ansiosamente o retorno de campeonatos, para voltar a consumir e a partir do momento que isso tudo acabar terá um aumento muito grande do consumo. Acredito em um retorno com mais investimentos, consumo e compras de produtos relacionados ao esporte.
TS – Como essa pandemia afetou o seu canal e sua profissão?
RJ – Em termos de profissão não só na minha, mas em muitas outras, percebi que as portas se fecharam muito. As empresas que estavam com vagas abertas e processos seletivos em andamento com essa pandemia desistiram, porque é um momento em que as empresas estão tendo mais gastos. E sobre o canal eu vi lados positivos e lados negativos, porque vínhamos numa fase que não estava sendo tão boa, então tivemos que nos desdobrar mais. Além disso, tivemos que produzir um conteúdo completamente diferente, gravado dentro de casa, então sem estúdio, sem o campo de futebol e sem as collabs – tipo de parceria com canais semelhantes ao seu – que fazíamos, optamos em mudar um pouco o estilo do canal e positivamente com mais pessoas em casa, mais pessoas consomem YouTube então o dinheiro pago pela plataforma aumentou dando uma equilibrada nessa questão de ganhos. Acredito que a queda do real comparado ao dólar também tenha sido um pouco responsável também.
TS – Os números de espectadores aumentaram ou diminuíram nesse cenário, o que motivou esse resultado?
RJ – Nesse quesito os números foram bastante positivos, além de ter aumentado, as pessoas estão assistindo os vídeos com maior frequência e interação. O que motivou é exatamente essa crise mundial que estamos passando, as pessoas estão com mais tempo e é exatamente o que todos precisam dentro do YouTube, digamos que esse é o ponto chave dentro da plataforma, porque um canal não é rival do outro, você pode produzir dois conteúdos parecidos e a pessoa consumir os dois.
TS – Em termos de produtividade o isolamento afetou ou ajudou a se concentrar mais? Qual sua rotina para manter esse ritmo?
RJ – Ajudou muito a me concentrar. Depois da terceira semana eu comecei a surtar um pouco, porque eu não tinha mais o que fazer de diferente e só ficava dentro de casa, então eu comecei a focar em produzir coisas novas e diferente de tudo que eu já tivesse feito, então criei uma ambição de estar sempre melhorando, com isso os resultados foram mais positivos. E agora que estamos realizando uma grande mudança no canal e voltando com mais collabs, minha rotina para manter isso é todos os dias na parte da manhã eu edito, após o almoço eu tenho uma reunião, de tarde gravação com algum canal médio, grande ou até pequeno e a noite eu tiro um tempo para mim.
TS – Já pensou em qual será sua estratégia após essa pandemia passar? Se sim me conta uma delas?
RJ – Nossa estratégia em relação ao canal é melhorar ainda mais, contratando um editor, ampliar a produtividade, focar em gravar mais colaborações com outros canais grandes, aumentar o número de desafios em campo de futebol, com desafios usando bola, desafio do travessão, entre outros que pretendemos trazer, além de viajar para outros estados para realizar collabs melhores principalmente São Paulo, onde fica o maior polo, com mais produções, oportunidades e canais que nos ajudaria a alcançar novos resultados. E talvez, quem sabe, eu não sei como estaremos até lá, se teremos aumentado o nosso público, o número de visualizações, e de interações como imaginamos, mas de acordo com os resultados, quem sabe, a possibilidade de aumentar um vídeo por semana, porque seria uma ótima chance de fidelizar ainda mais nossos inscritos.
Assista um pouco do trabalho dele:


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